quinta-feira, 24 de março de 2011

Retrato da precariedade

Só não vê quem não quer ver, só não compreende quem vive noutra dimensão.

As verdades estão além da cor política, são verdades. Eis o retrato fiel da realidade de uma vida precária.

Intervenção do deputado José Soeiro (BE) na AR, anterior à manifestação da Geração à Rasca, em resposta às “baboseiras de tantos comentadores que, como (Isabel) Stilwell, se levantaram contra a manifestação convocada pelos jovens precários e que tentaram culpar ora os próprios (incapazes de “dar a volta à vida”), ora os seus pais (supostamente instalados no “privilégio” de um contrato de trabalho) pela economia rasca que hoje predomina no país e que escraviza quem trabalha com estágios não remunerados, falsos recibos verdes e trabalho temporário sem direitos” – diz em nota no Facebook.

Felicidade é...

- Não ter contas para pagar;
- Não ter de comer;
- Não ter preocupações;
- ...

Exige a substituição da pergunta 32 dos censos 2011! Faz chegar a tua reclamação ao Provedor de Justiça

Exige a substituição da pergunta 32 dos censos 2011! Faz chegar a tua reclamação ao Provedor de Justiça

Os Censos que estão viciados à partida porque mascaram o trabalho precário: «Se trabalha a recibos verdes mas tem um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva, e um horário de trabalho definido deve assinalar a opção trabalhador por conta de outrem»...

É isto que queremos? Um País onde se continua a fechar os olhos à realidade?

Disse a Sra. Presidente do INE que os Censos pretendem conhecer a situação face ao mercado de trabalho de facto e não de direito, logo, aqueles que   têm um local de trabalho fixo dentro de uma empresa, subordinação hierárquica efectiva, e um horário de trabalho definido, embora pagos a recibo verde, preenchem os atributos do conceito de “trabalhadores por conta de outrem”. Pior, ouvi-a eu dizer (ninguém me contou), na SIC Notícias num dos noticiários da manhã (não me recordo do dia, mas suponho que tenha sido a 16 de Março), que os Partidos Políticos e os Parceiros Sociais concordaram em manter os critérios que serviram de base aos Censos de 2001. Portanto, o problema já vem de longe...
O argumento "mercado de trabalho de facto e não de direito" não pode servir para justificar a formulação da Pergunta 32 dos Censos, porque nem espelha a realidade fáctica nem faz um retrato da população portuguesa. Logo,  inviabiliza a definição de políticas públicas sérias em matéria de emprego já que não permite saber, com exactidão e verdade, a quantas pessoas se destinam ou visam afectar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Kirby RH? Não, venda de aspiradores!

geral.dolcevita@hotmail.com
22 de março de 2011 18:49
Feedback - entrevista Kirby (21-03-2011)


Exmos. Srs,

fui ontem a uma entrevista vossa para Recursos Humanos. Qual não foi a minha surpresa quando me deram um formulário para preencher à chegada todo ele direccionado para a vertente comercial "pura e dura". Preenchi-o e entreguei-o. Dirigi-me à entrevista onde não foi questionado o meu background, a minha experiência profissional ou formação académica, os meus conhecimentos, as ambições, expectativas, etc. Nem sequer senti que tivessem, na realidade, lido o CV que enviei. A única coisa que me foi dito foi que a empresa era a Kirby (nome nem sequer indicado no anúncio de emprego, copiado e citado abaixo), uma empresa americana ligada aos produtos de saúde e limpeza. Foi-me ainda dito que, se ficasse, começaria no Sábado um estágio (não me foi dito se remunerado ou não) para conhecer o produto. Quando questionada sobre a minha candidatura a RH, a técnica respondeu-me que todos os novos funcionários teriam de estagiar na área comercial. Não me foi revelada remuneração, horários, tipo de contrato ou quaisquer outras condições.

Quando tive acesso a um computador voltei a consultar o anúncio pois poder-me-ia ter equivocado quando me candidatei a RH mas verifiquei que não. O anúncio efectivamente não indica nome de empresa (Kirby) e existem vagas para RH e não apenas para comercial:

Empresa no Parque das Nações,
Recruta para:
- ADMINISTRATIVO
- RECURSOS HUMANOS
- ASSISTÊNCIA TÉCNICA
- COMERCIAIS
- OPERADORES DE COMUNICAÇÃO
Entrada imediata
PART-TIME; FULL-TIME; ESTUDANTES
Contactos:
geral.dolcevita@hotmail.com
218 942 207/910 899 899

Quando consultei a página da dita empresa Kirby é que fiquei a saber que tinha enviado o CV para uma empresa de venda de aspiradores e que, apesar de ter concorrido a RH, todos teríamos de estagiar na área comercial para conhecer os aspiradores da Kirby.

Efectivamente, se o anúncio correspondesse à vaga em questão, eu não teria concorrido. Sem qualquer demérito para todos os que vendem aspiradores ou são comerciais. Apenas esta não é a minha área de eleição e eu indiquei mesmo que estou a trabalhar no momento. De modo que a mudança terá de ser para melhor.

Acredito que esta seja uma época conturbada em que as pessoas necessitam de emprego, segurança e estabilidade mas as empresas não se podem nem devem aproveitar disso, colocando anúncios que não são correspondentes à oferta.

No meu caso, que trabalho por conta própria, cada hora que não trabalho é uma hora que perco. Desloquei-me até vós e não esperava que a oferta fosse aquela que me facultaram.

O anúncio deve (e quem me entrevistou saberá já que está a desempenhar essas funções) ser claro e indicar as características de quem pretendem, bem como as características do trabalho em si para que os candidatos não enviem CVs desnecessariamente. Pelo menos deveria haver a indicação de que procuravam candidatos com forte apetência comercial.

Assim sendo, e verificando que já me contactaram hoje telefonicamente, serve este para indicar que a vaga em si não corresponde aos meus critérios de pesquisa de emprego/colaboração. Como tal, deixo a possibilidade em aberto para outro candidato que esteja efectivamente interessado na área, na empresa e nos produtos vendidos pela mesma.

Sem mais de momento

votos de sucesso futuro

Tatiana Santos
Psicóloga / Formadora

Texto publicado na página do Facebook:  Movimento Cívico - "Pensar o Futuro"

Geração à Rasca: Então...e depois?

Depois de sair do Facebook, onde vai a Geração à Rasca? Reportagem de Rita Faria - afaria@negocios.pt

domingo, 20 de março de 2011

Um triste post.

Desde que tomámos a opção de criar este blogue de denúncia (no dia 13 de Março) até ao dia de hoje (20 de Março) escancarámos a vergonha que nos apresentam como propostas de trabalho de 15 anúncios absolutamente vergonhosos e insultuosos. Passaram só 8 dias! Poderíamos fazer uma média de 2 anúncios por dia. Quer dizer que foram 15 vagas deitadas para o lixo, como deitam assim ao lixo o investimento que fizemos nos nossos estudos, que os nossos pais fizeram em nós, que o Estado fez em nós.

E o que nos entristece mais ainda é que estes foram só os anúncios que nos chegaram às mãos, porque neste momento não temos capacidade para varrer todos os motores de busca de ofertas de trabalho, quer em sites, quer em redes sociais. Por isso, deixamos o apelo: enviem-nos TODOS os anúncios que nos toldam o futuro e o futuro dos nossos colegas, amigos, familiares.

Ao denunciarmos este flagelo contamos que as autoridades competentes tomem consciência das repercussões económicas, sociais e políticas que decorrem desta exploração e actuem sobre a legislação e sobre a fiscalização do seu cumprimento.

É de informar ainda que nenhuma empresa se dignou a responder a qualquer uma das respostas aos anúncios infames que publicaram. Esperamos que seja por vergonha, mas a verdade é que os anúncios não foram apagados ou rectificados.

Designer - Estágio Curricular 3 meses - Activo Futuro

Publicado aqui no dia 19 de Março de 2011.

Empresa em expansão recruta designer para estágio curricular não remunerado pelo período de 3 meses:

Designer
- Produção de material gráfico e promocional
- Produção dos layouts das lojas da rede
- Finalista ou Recém Licenciado em Design
- Experiência em Adobe CS (Illustrator, InDesign, Photoshop, Flash, DreamWeaver)
- Responsável, dinâmico, polivalente, team-player, criativo e motivado

Os candidatos seleccionados serão chamados para realizar uma entrevista.

Perfil do Candidato
Fortes possibilidades de integração na empresa após este período.
Agradecemos que apenas os candidatos que preencham os requisitos acima mencionados respondam a este anúncio.
As candidaturas devem ser enviadas até ao próximo dia 21 de Março para o e-mail: activo.futuro@hotmail.com indicando no assunto a vaga a que se candidatam.

~ ~ ~
A Nossa Resposta:
Exmos. Senhores,

Venho por este meio informá-los de que o que propõem no anúncio publicado no site Net-Empregos (aqui) é absolutamente inútilindecoroso e um insulto para um designer.
E é-o a diversos níveis.
Primeiro, um designer com as características que exigem investiu dinheiro a mais na sua formação para ir trabalhar para aquecer na V. empresa. Especificando:
  • Uma licenciatura em Design não fica por menos 1000,00€ por ano (fazendo as contas por baixo e só às propinas!); multiplicando por 3 anos que dura o curso = 3000€. 
  • Um curso de Adobe Illustrator = 369 €
  • Um curso de Adobe InDesign = 379 €
  • Um curso de Adobe Photoshop = 409€
  • Um curso de Flash = 409€
  • Um curso de DreamWeaver = 369€
  • Experiência nestes programas todos (porque"Agradecemos que apenas os candidatos que preencham os requisitos acima mencionados respondam a este anúncio") requer que o candidato tenha oportunidade de praticar, o que significa que tenha de ter esses programas instalados em casa. Fazendo as contas:
  • Illustrator = 798.27€
  • InDesign = 921.27€
  • Photoshop = 847.47€
  • Flash = 859.77€
  • DreamWeaver = 552.27€
  • TOTAL = 8914,05€
Segundo, na área de Design não são necessários estágios curriculares para conclusão de formação. 
Terceiro, a Activo Directo revela que não tem dinheiro nem para "mandar cantar um cego" (já que não remunera um simples estagiário) quanto mais para contratar um designer com tal nível de especialização. Acha V. Ex.ª que um profissional que se preze aceita trabalhar de graça?

A fim de evitar uma denúncia na Autoridade para as Condições de Trabalho, exijo que retirem o referido anúncio pois constitui não só uma ofensa aos Designers como uma ilegalidade, já que apresenta uma proposta para estágio profissional e não curricular e, sendo assim, terá de cumprir o disposto no artigo 146.º da Lei n.º 55-A/2010, de 31 de Dezembro (que poderá ler aqui).

TENHAM VERGONHA e NÃO FAÇAM DOS OUTROS PARVOS, QUE NÃO SOMOS!
Ass.: Eu Não Sou Rasca!

Ainda a fiscalização

Crê-se que a intervenção (expedita) da Autoridade para as Condições de Trabalho permitirá a mudança da cultura empresarial portuguesa e, consequentemente, a adopção de uma postura mais honesta em relação aos estagiários.

Mas não são só os recém-licenciados que se deparam com engodos no seu percurso profissional.

A seguir aos estágios curriculares e profissionais vêm os falsos recibos verdes.

Tem-se falado muito em estágios pois é um fenómeno florescente nos dias que correm, mas não é de menor importância a precariedade de quem se torna efectivo de empresas de trabalho temporário em funções administratitvas e de call center (para ser obrigado a rescindir o contrato sempre que muda a ETT que presta serviços à empresa utilizadora), quem a seguir a um estágio profissional "fica" na empresa onde estagiou a receber o ordenado mínimo e outro tanto "por fora, quem excede o limite temporal da renovação do contrato a prazo e se vê no desemprego porque a empresa por política não passar ninguém aos quadros, ou quem trabalha 7 anos na mesma empresa a "falsos" recibos verdes e não tem férias, pois se não trabalhar não ganha,,,

A realidade é bem complexa e, infelizmente, está para além dos falsos estágios, já que contempla inúmeras situações de falso emprego, emprego precário e exploração do outro pelo outro. E o tempo passa. Passm os vintes, os trintas e chega-se aos quarenta assim, num instante, com uma vida toda ela precária.

Contra isto só posso dizer que não me calo e o que peço é que não nos calemos TODOS!

Alguma coisa terá de mudar, ainda que a mudança possa ser mais lenta do que gostaríamos, para que haja salários justos e honestidade nas contratações.

Técnico de Turismo

Publicado aqui no dia 19 de Março de 2011.

[full-time]

Local: Faro

Descricao:
Procura-se técnico de turismo para atendimento ao público em agência de viagens. Preferencialmente que se possa enquadrar em estagio profissional.

Características:
Capacidade de análise crítica;
Conhecimentos de Informática na óptica do utilizador (Office);
Conhecimentos básicos línguas (Inglês/Espanhol);
Pró-activo, dinâmico e com espírito de equipa;
Gosto por viagens, turismo e pela actividade comercial.

Local: Portimão

Caso esteja interessado, envie CV clicando “Candidatar-se”.

~ ~ ~

O que é que está errado com este anúncio?
O uso abusivo da condição de estagiário, indiciando até, apesar de não estar explícito (temos um "passarinho" que nos diz) a ideia de estágio comparticipado pelo IEFP.
Parece bastante claro que o que procuram para esta vaga não é um estagiário, mas se "o candidato tiver o perfilzinho" então deixa cá aproveitar e pagar menos ou que o Estado pague metade do seu salário.
Por isso é tão importante que haja mais fiscalização nas empresas, como sugerimos aqui.